Entrevista Kantaris – Janeiro 2016

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Quando e porquê surgiu o tarot na sua vida?

O tarot sempre foi uma curiosidade e mistério que eu sempre quis conhecer desde bem jovem. Na altura vivia numa aldeia, falar destas coisas era impensável, saber onde comprar tal coisa com essa idade muito difícil, o que fazia era comprar semanalmente as revistas esotéricas e devorar artigos relacionados com astrologia, tarot e outros assuntos espirituais. Então aos meus doze ou treze anos, uma amiga da secundária foi a Lisboa e comprou um tarot e veio de imediato mostrar-mo. Foi o primeiro tarot que tive na mão, e ela ofereceu-me fotocópias das cartas, que para mim eram valiosíssimas e preciosas e foi este o meu primeiro baralho de tarot. Comecei de imediato a fazer uso do meu tarot para pequenas questões daquela idade. Para ajudar as amigas nos namoricos, para saber se o ano letivo iria correr melhor ou pior, coisas simples. O engraçado é que sempre funcionava. Hoje percebo que apesar de não ter na altura o conhecimento e estudo do tema que tenho hoje, fazia-o com tanta fé interior que não podia falhar. Mais tarde, já depois de me ter formado em Gestão de empresas, o apelo interior era tanto e a vontade de saber usar aquele oráculo com rigor tão fortes, que decidi inscrever-me no curso do Paulo Cardoso em Lisboa, e assim, em 2000 tirei a formação que acabou por se revelar um dos maiores focos da minha vida.

Com formação académica em psicologia porquê optar pelo tarot?

Na realidade, foi um pouco o oposto. Ou seja, inicialmente eu vinha de uma área ligada ás empresas, na qual trabalhei alguns anos, e onde sempre era procurada cada vez que alguém tinha algum problema ou precisava de um conselho. Entretanto tirei o curso de tarot e assim que as pessoas tomaram conhecimento começaram a procurar-me quando precisavam de ajuda nalguma situação mais complicada. A minha dedicação e o retorno/gratidão dos clientes fizeram-me abandonar completamente a área relacionada com as empresas para me dedicar ao tarot e outras áreas esotéricas e espirituais. Comecei a participar em vários eventos no país, feiras místicas e esotéricas, e cada vez as pessoas me procuravam mais. Até que a dada altura, percebi que existiam casos de pessoas que precisavam de apoio, mas um apoio que seria além do que eu podia dar. Falo de pessoas com depressão ou outros tipos de problemas psicológicos que requeriam acompanhamento e tratamento psicológico. Então decidi que iria voltar á Universidade, mas desta vez para me formar em psicologia clínica, e assim fiz. Claro que são domínios bem diferentes, que não se confundem, e por isso mesmo úteis e necessários em cada caso específico.

É verdade que as previsões de tarot duram no máximo 1 mês?

Não, as previsões de tarot podem ser feitas dependendo da necessidade do consultante. Ou seja, o consultante pode precisar de se preparar para aspetos gerais da sua vida nos próximos seis meses, um ano, um mês, depende. Quando faço uma tiragem geral que inclui (a pessoa, as finanças, família, filhos, amigos, amor, trabalho, saúde, entre outros) não gosto de fazer além de 6 meses, porque é muita informação para um período de tempo tão longo. No entanto, com consciência, as previsões são feitas de acordo com as questões colocadas. E convém sempre referir que o tarot nos dá a “probabilidade maior” de algo acontecer no futuro perante o cenário que o consultante tem no momento presente. Mas claro, existe o livre-arbítrio, ou seja, o poder pessoal e individual de cada ser humano de lutar pelo que deseja e poder com a sua força de vontade e empenho mudar circunstâncias que doutra forma até nem seriam favoráveis. O tarot funciona como um “amigo” que previne certos acontecimentos e aconselha determinados comportamentos para evitar situações piores, ou melhorar o que está difícil.

O que é Tarot?

O Tarot é um oráculo bastante antigo, e uma ferramenta de trabalho que utilizada de forma conscienciosa se torna preciosa. É composto por 22 arcanos maiores, que são as “cartas principais”, e 56 arcanos menores, que são cartas equivalentes ás do baralho comum. Este oráculo é muito antigo, teve origem já na idade média e foi sofrendo algumas modificações e acrescentos por diversos autores ao longo dos anos. Os mais conhecidos são o “tarot de Marselha”, por ser o mais antigo, segundo estudos foi provavelmente concebido no norte da Itália, no século 15 e introduzido no sul da França, quando os franceses conquistaram Milão e Piemonte em 1499. Tendo declinado em Itália, mas criando raízes fortes no sul da França. Também o “tarot de Rider Waite”, provavelmente o mais conhecido do mundo, se destaca bastante nos dias de hoje, publicado pela primeira vez em 1910 através do místico americano Arthur Edward Waite. Este tarot contém ilustrações muito claras no que respeita aos 56 arcanos menores o que facilita bastante o seu uso e a aprendizagem no contexto de formação.

Como é o dia a dia de uma taróloga?

O dia-a-dia de uma taróloga não é fácil. Além de termos de conjugar a vida pessoal e familiar com os atendimentos, temos de estar preparados para receber muitas chamadas telefónicas de pessoas das quais só nós sabemos certos acontecimentos ou segredos. Temos de ter uma enorme capacidade de entender o problema do outro, bem como uma grande capacidade de concentração e conexão espiritual para lançar o tarot e ainda apresentar as soluções mais adequadas aos problemas propostos. O dia-a-dia de uma taróloga exige uma grande capacidade mental para ouvir muitas pessoas com problemas e ter a capacidade e força de as ajudar, eventualmente tratar, e depois conseguir não deixar que isso afete a vida pessoal e não deixar “contaminar” o campo energético pessoal com as energias das diferentes pessoas com quem contactamos e que na maioria das vezes não está bem. É uma profissão desgastante, mas imensamente gratificante.

Que tipos de preconceitos você já sofreu por ser taróloga?

No meu caso não sofri muitos preconceitos porque não me exponho a situações que permitam o preconceito. Ou seja, escolho eventos temáticos, onde quem vai já sabe o que vai encontrar. Quando falo com as pessoas em geral falo das minhas diferentes aptidões profissionais e não tento converter ou convencer ninguém a acreditar no mesmo que eu. E quando sou procurada a pessoa já vem com a referência de alguém e vem recetiva ao meu trabalho. Das poucas vezes que fui abordada com críticas e ceticismo ou preconceito, só elucidei a pessoa de que a área dela não é da minha competência e como tal eu não me prenuncio, da minha área e competência permitirei que alguém critique ou se prenuncie sobre o meu trabalho, no dia em que tiver estudado o que eu estudei e tenha adquirido o conhecimento que adquiri, até aí ninguém deve falar do que desconhece e não alimento ignorância.

 Consulta Online funciona? 

Consulta online ou por telefone, em direto com o tarólogo funciona. Claro que tudo funciona desde que o tarólogo seja profissional e tenha consciência do que está a fazer. Eu no meu caso, começo por fazer alguns símbolos de Reiki á distância para captar melhor a energia da pessoa, e depois começo a consulta. Normalmente gravo e envio por email para que a pessoa possa voltar a ouvir quando quiser. Até á data de hoje, felizmente, sempre tive feedback positivo e voltaram ao contacto.

A consulta tem a ver com religião?

Não, não tem mesmo nada a ver. A palavra religião, derivada da palavra latina “religionem” e mais tarde “religio” ou seja “religar”, significa re-ligar, re-conectar com Deus, com a Divindade. Esta reconexão, este religar a Deus fez surgir diferentes tipos de “religiões” ou “re-ligações”. O Tarot não vai contra nenhum tipo de religião nem se insere em nenhum deles. É um oráculo que encerra em si bastante conhecimento, foi bastante abordado pelos cabalistas, no entanto qualquer pessoa pode fazer uma consulta de tarot. Seja budista, cristão, judeu ou até ateísta, a pessoa só tem que querer.

O que da pra ver e saber no tarot?

Em tom de brincadeira, dá para ver quase tudo excepto os numeros do euromilhões. Em geral as pessoas procuram saber questões relacionadas com o trabalho, questões financeiras, amorosas, de saúde, outras pessoas pretendem saber se alguém que já partiu está em paz ou se precisa transmitir alguma mensagem, bom, existem imensas questões diferentes que são colocadas.

De que forma é mais eficaz fazer previsões através de oráculos, numerologia, astrologia ou depende do profissional?

Depende do que a pessoa precisa saber. Por exemplo, se pretende ter uma abordagem sobre o ano em geral, melhor altura para engravidar, iniciar um projeto a longo prazo, ver compatibilidades amorosas…a astrologia e numerologia são ótimas ferramentas. Se a pessoa está com um problema no presente com questões muito concretas como por exemplo deixar um trabalho em detrimento de outro, saber exatamente o que certa pessoa sente por si, se está a ser traído, se deve escolher certa casa para viver, ou outras perguntas mais específicas, aqui o tarot torna-se uma ferramenta mais eficaz. No meu caso, costumo começar com uma vista geral através da numerologia e depois parto mais para o particular com o tarot. Se a pessoa pretende entender e “limpar um cárma” então poderá optar por fazer uma leitura da aura. Existem imensas ferramentas espirituais incríveis. Diria que não depende tanto do profissional, mas mais das ferramentas que utiliza em função da necessidade da pessoa.

Como enquadra a numerologia e a astrologia dentro do universo de prever o futuro? Seriam ciências?

Para mim essas duas formas de prever o futuro são ambas ciências, e bem exatas. Comecemos pela numerologia, no meu caso, utilizo a Numerologia Pitagórica, que provém do estudo profundo realizado pelo matemático e cientista Pitágoras, que todos conhecemos e aprendemos na escola. Pitágoras não só descobriu o seu famoso “teorema”, como estudou a vida, as pessoas, os anos e os acontecimentos em função dos números. E posso dizer pelo conhecimento que tenho e anos de experiência que “é matemático”, a numerologia não falha. Quanto á astrologia, sou mais uma autodidata interessada e que acompanha, mas não é a minha área de trabalho. Mas do que conheço e estudo, é extremamente precisa. No momento em que nascemos a posição dos astros demonstra características de personalidade e tendências pessoais e de vida. Entretanto como os astros se movem nos céus com rotações de tempo diferentes, fazem a cada ano o que se chamam “trânsitos astrológicos”, e com base nesses “trânsitos astrológicos” podemos saber com bastante clareza como será o ano, e se certas áreas de vida são mais ou menos favoráveis. Através da astrologia há uma imensidão de estudos e previsões diferentes que podem ser feitas. Facilmente comprovamos a sua eficácia se pedirmos a um astrólogo para ver um ano passado e constatarmos se faz sentido com o que vivenciámos.

Para finalizar, gostava de acrescentar que não há nada a temer numa consulta profissional de tarot ou de outra área espiritual. O profissional, devidamente habilitado, dará o seu melhor para o ajudar o consultante ou paciente de acordo com o seu bem-supremo!

 

 

 

 

 

Muito Obrigada, Bom Ano para todos e Bem-hajam! Paula Kantaris*

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